Brasil: Dilma Rousseff recorre contra sua destituição e pede novo processo
01/09/2016
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Brasil: a destituição de Dilma Rousseff é uma fraude, um “hold-up” de poder

Senat

(imagem: Midia Ninja)

TRADUZIDO DA RADIO FRANCE INFO – 29/08/2016 – por Valéria Lima Salem

Podemos realmente qualificar o que acontece politicamente de fraude, um hold-up de poder’, afirma Armelle Enders, professora de História Contemporânea na Universidade Paris-Sorbonne e especialista em história política do Brasil. “São, sem dúvida, minoritários, no que chamamos de classe média, ou seja, a pequena, média e alta burguesia, minoritária, mais muito fortes. E não há somente apoio a Lula e Dilma, mas há também gente escandalizada pela reviravolta do processo, que é considerado, por muitos, como um putsch”.

Sobre a qualificação do termo “golpe de estado”, que Dilma Rousseff vai certamente usar hoje para se defender diante dos senadores, podemos dar razão a ela?

É uma questão considerável porque para os que são parte do poder, e os que querem eliminar o PT, é preciso apresentar a situação como um impeachment, um processo perfeitamente constitucional. Mais há também a ideia de “golpe”, que em português significa “golpe de estado” mais também “enganação, fraude”. Sim, podemos realmente considerar o que está acontecendo como uma grande enganação, um hold-up de poder.

Teremos o veredito desse processo até quarta-feira. Em seguida Michel Temer será, sem dúvida, confirmado como novo presidente do Brasil, com um grande desafio, essa crise econômica que atinge duramente o Brasil.

Os brasileiros acreditam realmente nele?65% dos brasileiros não confiam nele. Ele foi muito vaiado na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos e não quis comparecer à cerimônia de encerramento. Ele está associado ao poder e suas decisões há seis anos, então é co-responsável pela situação. Além disso, está envolvido em denúncias, que indicam que ele recebeu 10 milhões de reais em propina, no próprio palácio vice-presidencial.E ele não é o único no seu governo.

O novo executivo já está manchado por suspeitas de corrupção. Esse novo poder executivo poderá se sustentar nessas condições?

Sim, porque toda essa operação visa justamente salvar todos esses políticos. Entre os senadores que vão, certamente, condenar Dilma Rousseff, 60% têm processo penal em andamento. O que não é o caso de Dilma Rousseff. A honestidade pessoal da presidente nunca foi colocada em questão. Ninguém nunca encontrou nada contra ela. É uma situação extravagante.

Devemos esperar uma revolta social desses operários, nos próximos meses, no Brasil? Uma explosão social dessa parte pobre da população que tem a impressão de ter sido enganada?

É sempre difícil de prever isso. De toda maneira, o governo interino já cortou vários programas sociais, especialmente, nas últimas 48 horas, o grande programa de luta contra o analfabetismo. As pessoas vão precisar sobreviver. Apesar de tudo, há pouca mobilização.

Sim, há poucos manifestantes em Brasília…

Não devemos exagerar, não são poucos. Houve uma subestimação por parte da mídia que é muito concentrada e, notoriamente, parcial. Não acho que haverá grandes revoltas, mas haverá, certamente, greves e movimentos.

No plano econômico e social, vemos uma guinada de 180 graus. O que Michel Temer pretende fazer é apagar o que foi feito nos últimos 13 anos…

Especialmente as privatizações. Mas há coisas que ele não ousará tocar porque todo mundo está de olho nas eleições de 2018. Então, sabemos muito bem que cortar certos programas sociais é arriscar perder o voto da maioria dos eleitores, ou seja, os eleitores pobres.

(Link para a reportagem original, em francês: http://www.francetvinfo.fr/monde/bresil/bresil-la-destitution-de-dilma-rousseff-est-un-hold-up-sur-le-pouvoir_1800131.html)